É a primeira vez desde a criação desse blog (que é bem humilde por sinal) em que comentarei um filme. Não faço isso para transformar esse espaço virtual em um amontoado de críticas e discussões subjetivas sobre filmes, mas, de vez em quando, é bom retirar algum proveito da vasta gama cinematográfica.
Hoje falarei do filme “Os seis signos da luz”. Felizmente (e bota feliz nisso) sou obigado a ridicularizar, sem nenhum remorso, essa grande atrocidade as mentes humanas capazes, pois as incapazes devem ter adorado… O filme trata de um menino que descobre ser o portador de um dom que o permite ter poderes extrahumanos e, além disso, ser a chave para a vitória da luz contra à escuridão. Por favor… Não consigo contar nos dedos quantas histórias sobre luz, escuridão, escolhido existem no mundo! De um “google” e surpreenda-se! E o desenrolar da história ainda piora… o filme é repleto de clichês dos mais batidos como os significados de família, coração, bem e mal… Será realmente que o mundo é tão mágico e bem definido assim? No meu mundo há muita fome e doenças que devastam e desgraçam muitas e muitas pessoas. No mundo mágico dos seis signos da luz um garoto de 14 anos é escolhido para salvar a humanidade das trevas. Como uma divindade pode ser tão incrivelmente burra ao ponto de escolher um menino para salvar a terra? Este, explicitamente no filme, não se importa “picas” com o que vai acontecer ao mundo; o que realmente importa é se ele vai conseguir “bolinar” a namoradinha mais velha do seu irmão.
Não consigo imaginar como deve ter sido a criação desse filme. Acho que ainda existam pessoas no mundo (e muitas, talvez) que ainda acreditam que exista uma definição bem clara do que seja o bem e o mal. Acredito não existir tanta clareza nessas definições tanto quanto essas “grandes obras cinematográficas” querem provar. Não existe certo ou errado, existem pontos de vista. E enquanto acreditarmos existir escolhidos (que de preferência é sempre um e, claro, nós mesmos), pessoas que tem o dom de ter vários doms nós ainda manteremos uma visão heróica, romântica e, acima de tudo, infantil do que é realmente realidade. Esses filmes só reforçam essa imagem distorcida de que devemos apoiar sempre o bem e, em contraposto, devemos hostilizar o mal.
Por isso não desculpo… não desculpo o diretor por essa porcaria mágica, encantada e cheia da valores morais bonitos e vazios (ele e a Xuxa já devem ter trabalho juntos), não desculpo os atores por uma atuação digna de malhação e, para finalizar não desculpo o infeliz que ousar falar que esse filme é bom.


